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PROFESSORA DO CIC DAMAS SE DESTACA EM PESQUISA SOBRE COVID-19

05/03/2021 às 08h30

Matéria publicada no jornal O PODER BRASIL

Escrita pelo jornalista Severino Lopes

                Desde o início da pandemia de Covid-19, há cerca de um ano, os epidemiologistas, infectologistas e demais autoridades sanitárias, garantem que a máscara é um dos meios eficazes para evitar a disseminação do vírus. Uma inovação de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, torna ainda mais eficiente o efeito da máscara na batalha contra o vírus que já matou mais de 257.361 brasileiros e ceifou a vida de mais de 4.500 paraibanos.

CRIAÇÃO INÉDITA

                Os pesquisadores do Laboratório de Avaliação e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (Certbio) do curso de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), criaram uma máscara cirúrgica biodegradável que impede a contaminação e propagação do novo coronavírus.  Até o momento, Campina é a única cidade do Brasil que conseguiu produzir esse material tão necessário na prevenção ao vírus.

                A invenção, fruto do projeto “Proteção no Combate à Covid-19: Inovação no desenvolvimento de Máscara Cirúrgica", foi desenvolvida por um grupo de 12 pessoas que atuam no Certbio. O projeto é chefiado pelo professor Marcus Vinícius Lia Fook e utiliza um material capaz de reter o vírus da Covid-19 (SARS-CoV-2) e matá-lo.

                O professor Marcus Vinícius concedeu entrevista exclusiva ao jornal O PODER e deu detalhes do projeto que promete revolucionar o sistema de saúde no enfrentamento ao novo coronavírus. Ele disse que a máscara é descartável mas tem durabilidade segura de até 24 horas seguidas de uso, e não precisa ser trocada a cada três horas como as demais. Ele falou ainda que a máscara produzida pelo Certbio se torna especial por utilizar um elemento chamado quitosana, que impede totalmente a contaminação pelo vírus e ainda promove o extermínio do novo coronavírus por sua atuação bactericida e fungicida. "Outro diferencial dessa máscara é que ela é biodegradável. Depois do uso não causa danos ao meio ambiente", observou o pesquisador.

DA CASCA DO CAMARÃO

                A quitosana é obtida do esqueleto externo de crustáceos, insetos ou fungos. A matéria prima usada pelo Certbio é a casca do camarão, facilmente encontrado na costa nordestina; além disso, a Paraíba tem a maior usina de beneficiamento de camarão do Nordeste. É um elemento com potencial para o desenvolvimento econômico da a região.

SEM PROBLEMAS PARA OS ALÉRGICOS

                O PODER indagou ao cientista se o produto poderia fazer mal a pessoas alérgicas a crustáceos, mas ele garantiu que esse risco não existe. "Nós temos evidências que esse risco não existe porque retiramos a proteína que causa a alergia", disse Marcus Vinícius.

                O cientista deixa claro que a quitosana não trata a Covid-19, mas auxilia de forma eficaz porque não permite que o vírus passe por ela. É um bloqueio químico. “A máscara, por si só, é um bloqueio físico, mas com a quitosana ganha um reforço e se torna um bloqueio químico”, completou.

GRATIFICANTE

                Em contato com O PODER, a estudante e pequisadora Denise Medeiros falou da alegria de fazer parte de um projeto tão relevante. "É gratificante saber que um produto que estou ajudando a criar pode salvar vidas enquanto esperamos pela vacinação. Lembro que bem no início do projeto, assim que a pandemia "estourou" e tudo estava fechado, vínhamos ao laboratório e muitas vezes saímos daqui tarde da noite. Era cansativo, mas acreditávamos no potencial do nosso produto em proteger as pessoas do vírus".

OS TESTES

                A pesquisadora Alanne Alves, que é professora de Física no Colégio Imaculada Conceição, o CIC Damas, é responsável por fazer os testes que comprovam se, de fato, a barreira formada pelo polímero obtido dos crustáceos protege o usuário do novo coronavírus. “Esse é o diferencial dessa máscara, pois a aplicação da quitosana consegue, em outras palavras, inativar o vírus”, disse a pesquisadora, frisando que a aplicação pode tornar ainda mais efetiva a proteção extra colocada na máscara.

                "Fazemos testes com um aparato experimental para tentar avaliar qual é a eficácia do material. E então, com análise em microscópio, podemos identificar a retenção, absorção e permissividade de nanopartículas, o que é um forte indício de que ela também irá reter o vírus da Covid-19 que tem a mesma ordem de grandeza", explicou. "Fico feliz enquanto pesquisadora em contribuir com a sociedade em um momento tão deligado", disse Alanne, que é formada em Física e doutoranda em Engenharia de Materiais.

MÁSCARAS ABASTECERAM HOSPITAIS

                Na primeira etapa do projeto, os pesquisadores adequaram algumas máscaras para serem usadas por profissionais de saúde que atuam na linha de frente de combate à Covid-19 no Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes. Depois, com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (FAPESQ), preparou um lote de 10 mil máscaras que ainda serão distribuídas numa parceria da FAPESQ e Secretaria de Estado da Saúde (SES) para, posteriormente, serem disponibilizadas para hospitais do Estado.

ACESSO DA POPULAÇÃO

                Por enquanto, as máscaras ainda não estão disponíveis para a população. A ideia inicial é produzir lotes para abastecer os hospitais da rede pública de saúde. A população terá acesso a essa tecnologia indiretamente. Segundo Marcus Vinícius, “uma empresa da Paraíba está interessada em aplicar essa tecnologia em leitos hospitalares, nas roupas de cama, nos utensílios e aparelhos, o que dará uma proteção adicional. Da mesma forma, a empresa está interessada na produção das máscaras para distribuição hospitalar, não só na Paraíba, mas em outros estados.,

               A pretensão é que futuramente essa  tecnologia possa chegar às mãos da população em geral, não apenas nos hospitais que estão utilizando a máscara como parceria. O projeto foi uma das 18 propostas selecionadas no edital lançado pela Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba, no início da crise de saúde causada pela epidemia do coronavírus na Paraíba.

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